Fui levado a Globo pelas mãos de Walter Avancini.

Meu primeiro dia foi de apresentações, cumprimentos, conhecer meus novos companheiros de trabalho e abraçar ex-colegas da época da TV Excelsior que, aliás, era a sua maioria.

Avancini então me conduziu ao núcleo de novelas das 18 horas, dirigido por Herval Rossano, que o conhecia de nome.

Feitas as apresentações e sem perder tempo, Herval se encaminhou para o estúdio B do Jardim Botânico, pois estava sendo gravadas simultaneamente as novelas “Dona Xepa” e “Sinhazinha Flô”, em seus primeiros capítulos. Ela entraria no ar em trinta dias.

Herval era uma destas pessoas que não esquecemos jamais, de gênio e temperamento fortíssimos, um leão como diretor e como pessoa. Difícil entendê-lo a principio, de ouvir um elogio ou coisa que o valha, porém, ele era um operário padrão… E a indústria o queria por isso.

Fiquei alguns dias “vendo” o trabalho dele, estava preocupado em manter o mesmo ritmo dado por ele, as atuações e seu padrão de luz e sombras e procedimentos de maneira geral.

Casado com Nívea Maria, Herval me comunicou de repente, que eles iriam para a Europa naquela noite e que eu daria continuidade às novelas.

Confesso que não me abalei. Estava acostumado a trabalhar sob pressão e com todos os obstáculos que minha profissão me proporcionava, alem de que, conhecia praticamente todos os atores das duas novelas. Isto sempre ajuda e muito.

A vida foi seguindo sua trajetória com relativa tranqüilidade. Estava feliz.

Bete Mendes, Eduardo Tornagui e Sérgio Mattar

N0 próximo texto: Minha mudança para o Rio de Janeiro…